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domingo, junho 28, 2009

"Passeio socrático"


"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!". - Sócrates


DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL( Frei Betto )


--------Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China.. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.
--------Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
--------Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã... '. 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena - a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
--------Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
--------Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
--------A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, ­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
--------O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
--------Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center.
--------É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
--------Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus; se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório; mas se não pode comprar certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald...

--------Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático'. Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!".


(enviado por tia Dorinha hj pela tarde)

PROCURA-SE UMA CIDADE


Escrevi esse texto hoje, domingo, 28 de junho de 2009. Um dia triste, numa cidade triste, a única coisa boa é o frio.


--------PROCURA-SE UMA CIDADE


--------Escritora, casada, 34 anos, mãe de três filhos, procura:
--------Cidade pequena, com no máximo 30 mil habitantes, de topografia plana, mas rodeada de montanhas. Que tenha uma bela praça em frente à matriz, e que na praça tenha uma fonte, um coreto, muitos bancos à sombra das árvores que por sua vez terão troncos fortes e copas largas.
--------As estações do ano não precisam ser bem definidas, as flores podem surgir o ano inteiro. Já o inverno tem que ser frio, daqueles de sair “vapor” quando se fala, e o verão pode vir acompanhado de sol quente, brisa fresca, e banho de cachoeira. Ah! Tem que ter cachoeira!
--------Que seja necessária somente a bicicleta para se locomover dentro da cidade, e que o trajeto até a cachoeira também possa ser feito de bicicleta!
--------Que a cidade seja “cortada” por um ribeirão ou riachinho de águas claras, onde os lambaris e as piabas se escondam por entre o cascalho, e que o cascalho se esconda de nós ao refletir o brilho intenso do sol.
--------Quanto às ruas, não importa se são largas ou estreitas, o que importa é que sejam limpas e sem buracos, de preferência com calçamento rústico, pedras, chão batido, bloquetes, paralelepípedos, se não tiver asfalto melhor!
--------Os prédios podem existir, mas que sejam a minoria e de no máximo três andares. Que haja a predominância das casas de telhado com janelas de madeira, bem coloridas, com varandas e quintais enormes. E que as varandas sejam enfeitadas pelas orquídeas, avencas e samambaias, que tenham uma rede pra gente sentir a vida passar e duas cadeiras pra receber visita.
--------Que os quintais sejam longos, de pomares fartos e hortas na porta da cozinha. Que não faltem mangueiras abacateiros e goiabeiras, uma dúzia de galinhas ciscando por entre as folhas secas e patos se refrescando no pocinho d’água. E se em algum desses quintais tiver uma bica ou uma nascente, eu compro a casa!
--------Que tenha ao menos uma padaria onde se faça pão à moda antiga, sem essa de pães de mistura pronta de sacos de 50 kg. Que tenha uma farmácia onde se possa encontrar todo tipo de medicamento convencional, mas que tenha também um mateiro conhecedor das ervas, um benzedor e um curandeiro.
--------Que tenha um mercadinho pra comprar fubá de moinho d’água, goiabada, chinelo de dedo, balaio e rapadura. Um armarinho que tenha variadas estampas de chita, fitas coloridas e renda de algodão.
--------Que tenha quermesse no mês de Maria, e uma porção de crianças vestidas de anjo para coroar a santa, assim como eu, quando menina. Depois da missa, barraquinhas de comida, banda marcial; fogueira, quentão, canjica e bandeirolas no mês de São João.
--------Que tenha delegacia, agência dos correios, pelo menos um banco pra conservar nossa poupança, e que a polícia não precise trabalhar, apenas saudar-nos ao passar. E que um bom hospital nos receba nos momentos de precisão.
--------Que as escolas sejam exemplo em todos os sentidos, e que façam dos seus “meninos” orgulhosos cada vez que passem à suas portas.
--------Que todos se cumprimentem nas ruas e que os “vovôs” da cidade descansem na pracinha, ou nas esquinas politizadas, sempre prontos pra um dedo de prosa, uma partida de damas, sueca ou caxeta.
--------Que a visita das aves migratórias seja uma constante, e que as nativas como azulão, canarinho, tico-tico e sabiá nunca faltem aos “concertos” matutinos na minha janela.
--------Que nas tardes de verão aconteçam as revoadas de tanajuras, besouros e cupins, e que a meninada alvoroçada se espalhe pelas ruas, felizes e completas apenas pelo fato de correrem atrás dos insetos.
--------Que tenha sempre alguém disposto a acender uma pequena fogueira em algum canto da cidade nas noites de frio, para reunir os vizinhos, assar milho, batata doce, tomar a última pinga, durante a última prosa do dia.
--------E que ao olhar pro céu de noite ele esteja pleno de estrelas, que não falte nenhuma, exceto nas noites de chuva ou garoa fina, onde as estrelas são olhos escondidos por trás das nuvens a espiar a pureza de nossas vidas cá na Terra!
--------Se você sabe onde fica esse lugar, entre em contato comigo, mas, por favor, não espalha pra ninguém!


Jacqueline Salgado, de Belo Horizonte - cansada de contar nos dedos as poucas estrelas que me restam no céu.

segunda-feira, junho 22, 2009

O Salvo e o Barolo








Fotos na sequência: Palácio Salvo (Montevideo), Palácio Barolo (Buenos Aires), Torre do Barolo e Torre do Salvo.
Esses dois edifícios quase gêmeos são obra de um arquiteto italiano chamado Mario Palanti. Tanto o Palácio Salvo de Montevideo, quanto o Palácio Barolo de Buenos Aires, são do início dos anos 20, e viraram marca registradas nas cidades onde se encontram. Em Montevideo o apelo é ainda maior, por estar numa das principais praças da cidade, bem na esquina com a avenida mais movimentada.
Eu visitei os dois edifícios, e digo que sem dúvida, o Salvo de Montevideo é uma das peças arquitetônicas que mais me impressionou. Talvez por Buenos Aires abrigar tantos outros edifícios imponentes, o Barolo não impressiona como poderia impressionar, está na avenida de Mayo, rodeado de belos edifícios históricos, ao contrário do Salvo, que brilha sozinho no centro viejo de Montevideo.
Reparem nas duas construções. Os detalhes são incríveis! E quando você entra a surpresa é ainda maior!
Até onde eu sei, Palanti era amigo de Piria, aquele "alquimista" famoso que deu origem a mística cidade de Piriápolis no Uruguay, e dizem que toda a sua obra arquitetônica possui um certo segredo entranhado nos detalhes. É o que sentimos ao nos aproximar dos edifícios, em tudo parece haver um significado, é como um templo de outra dimensão que está ali, diante de nós como que atravessando um portal!
Experimente!


terça-feira, junho 16, 2009

Jacqueline Salgado Biografia



Jacqueline Salgado em Montevideo, maio/2009
Uma das cidades que ama!
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Depois de receber tantos e-mails de estudantes de todo o país pedindo minha biografia para seus trabalhos escolares, decidi postar uma breve biografia realizada pelos alunos do Colégio Santa Maria, que fazem parte do nosso grupo de leitura. Agradeço aos integrantes do clube literário por essa "pesquisa histórica" sobre mim.
Aqui está então, um pouco de lirismo, mas real!

Jacqueline Lopes Salgado Soares é escritora, poetisa e artista plástica mineira. Nasceu em Viçosa/MG no dia 19 de março de 1975. É filha, neta e bisneta de maestros, e também neta de uma cantora lírica, o que muito lhe influenciou para seguir o caminho da arte e da literatura. É filha de Cely Lopes Salgado e José Maria Sant'Anna Salgado, seu pai descobriu desde muito cedo que além do visível dom para desenhar e escrever, Jacqueline também possuía um belo registro de voz soprano, passando para ela ainda menina, ensinamentos básicos de música. Mais tarde, Jacqueline Salgado veio a ser também regente de corais infantis em sua cidade.
Em 1996, saiu da pequena Viçosa e foi estudar Belas Artes na Universidade Federal de Minas Gerais, (UFMG) na capital de Minas Gerais. Aprofundou-se em História através de uma pós-graduação e acrescentou essa ciência aos seus textos literários.

---Começou a escrever textos infantis quando ganhou seu primeiro filho em 1998. Ganhou inúmeros prêmios literários por todo o país com contos, crônicas e poemas, onde teve muitos dos seus trabalhos publicados em coletâneas.

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Ficou conhecida em todo país com a divulgação dos seus "Relatos Autobiográficos", usados como referência em diversas escolas como uma nova forma de se fazer crônicas relatando a infância de forma pura e buscando nela as bases para a construção do indivíduo. Escolas estaduais e municipais do estado de São Paulo receberam seu primeiro relato de infância na apostila do 7° ano.
Em maio de 2008 foi contemplada com o primeiro lugar no 7° Concurso “Leia Comigo” de incentivo à leitura, promovido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).Vive em Belo Horizonte, MG, desde agosto de 2008, onde mantem uma biblioteca própria e um clube de estudos literários.


Livros infantis: "A Menina, a Pedra e o Ribeirão", "Tio Francisco".


segunda-feira, junho 15, 2009

Dez livros fundamentais da literatura brasileira


1. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

2. Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa

3. Antologia Poética, de Carlos Drummond de Andrade

4. Serial e Antes, de João Cabral de Melo Neto

5. Dom Casmurro, de Machado de Assis

6. Angústia, de Graciliano Ramos

7. Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto

8. O Ateneu, de Raul Pompéia

9. Eu, de Augusto dos Anjos

10. Sagarana, de Guimarães Rosa

quarta-feira, junho 10, 2009

Cemitério da Recoleta em Buenos Aires





Túmulo de Evita Perón

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-Em abril e maio desse ano fiz uma viagem aos nossos vizinhos mais glamourosos, Uruguai e Argentina. Esse vídeo é um dos mais de 100 que realizei nessa visita, onde conheci Buenos Aires, Montevidéu, Colonia del Sacramento, Punta del Leste, Maldonado entre outras. Aqui uma parte do belo e antigo Cemitério da Recoleta em Buenos Aires, considerado um dos mais suntuosos do mundo, abriga jazigos perpétuos das famílias aristocráticas da cidade, com esculturas em bronze e mármore de artistas famosos, é lá que estão "depositados" os restos de Evita Perón e dos presidentes argentinos. Caixões podem ser vistos através das portas descansando (ora esquecidos) no primeiro piso dos mausoléus, abaixo daquele primeiro piso, existem mais 4 pisos lotados de caixões, abrigando cerca de 6 gerações de uma mesma família. Um túmulo mais barato custa em média 50 mil dólares e as famílias desembolsam 100 dólares ao mês para manter limpos seus mausoléus, por isso muitas vezes os vemos tão abandonados. Vale a pena uma visita, o lugar é um museu a céu aberto! Só não vale ter medo!






Jacqueline ( Salgado ?)


Música do Franz Ferdinand
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(não é uma homenagem a mim, mereço coisa melhor, essa poesia é muito trágica!)
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Jacqueline tinha 17 anos
Trabalhando em uma escrivaninha
Quando Ivor olhou por cima de seus óculos
Esqueceu-se de que tinha arruinado uma garota
Às vezes esses olhos se esquecem da face por onde estão olhando
Quando a face para a qual eles olham
Bem, você conhece essa face assim como eu
E como na volta do olhar atento
Ela pode te devolver a facepela qual você está olhando fixamente
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É sempre melhor no feriado
Muito melhor no feriado
É por isso que nós só trabalhamos quando
Nós precisamos de dinheiro
-
Gregor estava desanimado de novo
Disse 'Vamos, chute-me de novo'
Disse 'Eu estou tão bêbado que não me importo se você me matar
'Vamos, seu covarde
Sim, eu estou vivo
Eu estou vivo
Eu estou vivo e como eu sei disso
Mas por batatinhas e por liberdade eu poderia morrer




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Original:
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Jacqueline was seventeen
Working on a desk
When Ivor
peered above a spectacle
Forgot that he had wrecked a girl
Sometimes these eyes
Forget the face they're peering from
When the face they peer upon
Well you know
that face as I do
And how in the return of the gaze
She can return you the face
That you are staring from
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It's always better on holiday
So much better on holiday
That's why we only work when
We need the money
-
It's always better on holiday
So much better on holiday
That's why we only work when
We need the money
-
Gregor was down again
Said come on, kick me again
said I'm so drunk
I don't mind if you kill me
Come on you, gutless
I'm alive
I'm alive
I'm alive and how
I know it
But for chips and for freedom
I could die
-
It's always better on holiday
So much better on holiday
That's why we only work when we need the money
-
It's always better on holiday
So much better on holiday
That's why we only work when we need the money
-
It's always better on holiday
So much better on holiday
That's why we only work when we need the money